O adensamento urbano e a verticalização das cidades brasileiras têm contribuído para a formação de ambientes conhecidos como cânions urbanos: ruas estreitas cercadas por edificações altas, que dificultam a circulação do ar, elevam as temperaturas e limitam as áreas verdes disponíveis. Esse cenário impacta diretamente o conforto térmico e a qualidade ambiental, além de representar uma limitação adicional para a implantação e manutenção da arborização.

Árvores plantadas nessas condições enfrentam limitações de espaço, luminosidade e ventilação, tornando-se mais suscetíveis a doenças, quedas e interferências em redes elétricas e estruturas. Como consequência, a arborização passa a ser vista muitas vezes como um obstáculo, quando na verdade é parte fundamental da solução para a melhoria ambiental e urbanística.

Diante disso, a resposta está no planejamento técnico qualificado e na atuação integrada de profissionais habilitados e registrados, como os engenheiros agrônomos, florestais, civis, eletricistas e ambientais. Eles são os responsáveis, cada um dentro de suas atribuições profissionais, por avaliar as condições físicas, ambientais e estruturais, o microclima, a largura de calçadas, as redes subterrâneas e aéreas e definir as espécies mais adequadas para cada lugar. Em zonas verticalizadas e restritas, a escolha da espécie arbórea deve priorizar as nativas, que sejam compatíveis com relação à altura, resistência a pragas e doenças, velocidade de desenvolvimento média para rápida, ausência de frutos grandes ou princípios tóxicos, folhas perenes e sistema radicular profundo, garantindo convivência harmônica com o meio urbano.

Cidades como Melbourne, Berlim, Nova York, Toronto e a brasileira Curitiba são referências de como o planejamento técnico associado à arborização pode contribuir para o equilíbrio e segurança ambiental, mesmo em territórios densamente ocupados. A capital do Paraná destaca-se nacionalmente pela integração de regiões verdes ao traçado metropolitano, criando corredores ecológicos e arborizados compatíveis com a sua estrutura, um modelo eficiente no enfrentamento dos cânions.

Entre as estratégias que podem auxiliar na superação desse impasse está a adoção de um planejamento sustentável, priorizando a preservação de árvores existentes e sua integração a projetos de novos edifícios e infraestrutura. Além disso, a padronização de calçadas, com normas que garantam a condição adequada para o desenvolvimento de raízes, evita danos e garante a proteção dos pedestres.

Outro ponto fundamental é a modernização dos equipamentos elétricos. A instalação de fiação subterrânea deve ser incentivada em projetos de revitalização, reduzindo a poluição visual e o impacto sobre as árvores. Onde essa solução não for viável, a implantação de redes compactas de energia elétrica, com cabos cobertos e fixados em bases metálicas, reduz o risco de quedas e o contato da vegetação com a rede.

A educação ambiental também é indispensável nesse processo. Campanhas de conscientização podem envolver a comunidade em ações de plantio e cuidado com a vegetação, valorizando seu papel ecológico, social e estético. Parcerias entre o setor público e privado são igualmente estratégicas para financiar a criação de parques, corredores verdes e a manutenção de trechos arborizados. Entre as boas práticas, estão ainda os incentivos fiscais, como descontos no Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) para moradores e empresas que plantam e cuidam de árvores em seus imóveis e entornos.

Por fim, a arborização eficiente exige monitoramento contínuo e manutenção regular, com geolocalização, análise de risco de queda e intervenções técnicas criteriosas. As podas devem ocorrer sob supervisão de profissionais habilitados e registrados, como engenheiros agrônomos e florestais, que entendem sobre fisiologia e manejo vegetal, legislação ambiental e normas.

Para orientar gestores públicos e profissionais da área, há o Manual de Boas Práticas na Arborização Urbana em Municípios Brasileiros, uma criação do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) com os Conselhos Regionais de Engenharia e Agronomia (Creas) de cada estado. A publicação traz diretrizes para o planejamento, plantio, manejo e monitoramento das árvores em ambientes urbanos, com atenção especial às complexidades dos cânions. O material reforça a importância da atuação técnica responsável e multidisciplinar, assegurando que a vegetação urbana cumpra sua função ecológica e social sem comprometer o desenvolvimento das cidades.

A atuação profissional das Engenharias, Agronomia, Geociências e demais áreas abrangidas, nesse contexto, é o que pode tornar os corredores de concreto mais equilibrados, seguros e ambientalmente saudáveis, uma condição indispensável para cidades sustentáveis, resilientes e preparadas para as adversidades climáticas do futuro.

*Gisele Herbst Vazquez é engenheira agrônoma formada pela Universidade de São Paulo (USP), campus de Piracicaba (1986); mestre em Agronomia, com foco em Fitotecnia, pela mesma instituição (1995); e doutora em Agronomia, com foco em Produção e Tecnologia de Sementes pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus Jaboticabal (2005). Soma experiências em paisagismo, arborização urbana e meio ambiente, produção e tecnologia de sementes, e manejo de culturas anuais e de cana-de-açúcar. Atualmente é coordenadora da Câmara Especializada de Agronomia (CEA) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP).

Sobre o Crea-SP - Criada há 91 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia, Geociências, Tecnologia e Design de Interiores. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 370 mil profissionais registrados e 95 mil empresas registradas.

Fonte: CDICOM

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