Você conhece o conceito de "total cost ownership" (TCO)? Numa tradução livre, significa custo total da posse. Trata-se de uma ferramenta financeira que ajuda na avaliação de custos diretos e indiretos relacionados a investimentos importantes das empresas, como nas compras de software e hardware, por exemplo. O TCO também calcula os gastos referentes à manutenção desses itens — como licenças, treinamento de usuários, infraestrutura, peças, entre outros. Em resumo, o TCO mostra aos empresários se vale mais a pena investir na compra de um equipamento, ou escolher uma alternativa, como a locação com serviços.

Muitas empresas utilizam o TCO para decidir como investir, principalmente em equipamentos de TI, que geralmente demandam valores altos. O modelo Hardware as a Service — que envolve a locação — é uma opção para aquelas que precisam dos equipamentos mas não pretendem – ou não podem – fazer desembolsos muito elevados de uma só vez. Esse modelo permite que as empresas tenham acesso aos equipamentos necessários para suas atividades sem se preocupar com manutenção, obsolescência e suporte técnico, o que tem atraído a cada dia mais empreendedores.

No caso de computadores e equipamentos de TI, entre as vantagens de se alugar um produto está o fato de o cliente não precisar deslocar um time interno para fazer a manutenção dos equipamentos — assim, esses profissionais ficam liberados para atuar em outras frentes mais importantes para a essência do negócio. Além disso, o aluguel de equipamentos dá à empresa-cliente o direito à recuperação de créditos de impostos como PIS/Cofins, e abatimento no IRPJ para empresas no regime do Lucro Real.

Segundo dados doIDC Brasil, apenas 10% das empresas brasileiras alugam seus equipamentos. No entanto, essa estratégia é amplamente difundida nos Estados Unidos desde os anos 1990; lá, cerca de 80% das empresas optam pela locação.

O cenário local está muito vinculado a uma questão cultural, centrada na ideia de que comprar equipamentos de TI é uma forma de investimento no negócio. Mas a realidade não é bem essa, como mostra uma conta simples. Para adquirir cinco computadores, em média uma empresa gasta R$ 20 mil de uma vez só, e esse valor não inclui gastos com manutenção. No momento da compra esses bens estão novos; mas, em apenas dois anos, tendem a ficar ultrapassados, com uma capacidade limitada em termos de desempenho — o que naturalmente leva a empresa a gastar mais com a reposição. No mesmo exemplo, se a empresa decidisse realizar a locação dos cinco equipamentos, desembolsaria em torno de R$ 750 mensais, e com todo o suporte incluído no preço mensal. Encerrados os dois anos, poderia renovar todo seu acervo mantendo o orçamento mensal, sem gastos adicionais. O exemplo deixa claras as vantagens do uso quando comparado à posse.

Foi durante a pandemia que muitas empresas brasileiras conheceram o modelo de locação de equipamentos e descobriram suas vantagens. O home office e as aulas online evidenciaram a necessidade de mais computadores nas residências, e aumentaram a demanda — como resultado, faltaram produtos (por escassez de peças vindas da China, que logo no início do ano entrou em lockdown) e os preços subiram (acompanhando a procura maior e a alta do dólar).

Um exemplo de outsourcing de tecnologia muito conhecido no Brasil é o de impressão. As impressoras são mais caras e têm manutenção mais difícil que que os computadores, o que levou as empresas a terceirizar os serviços de impressão. Por que não replicar esse modelo para os demais equipamentos de TI? Nos Estados Unidos, a transição levou um tempo, e é o que também deve acontecer por aqui. Mas a substituição da compra pela locação nesse mercado parece ser um caminho sem volta.

Rene Almeida é co-CEO da Agasus, empresa especializada na locação de equipamentos, outsourcing e soluções em TI, e é gestor do fundo de investimento 220 Capital.

Fonte: Guilherme Sawaia - Agência Bluechip

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