Ícaro Negroni como Ulisses em 'ØDISSE.IA' - Divulgação

Em 2025, a Companhia Hecatombe comemora seus 20 anos com ØDISSE.IA, montagem que se baseia na obra clássica Odisseia, de Homero em formato itinerante, e que oferece ao público uma experiência cênica onde as personagens exploram os limites do espaço urbano e questionam o espaço cênico. Nesta primeira etapa, o espetáculo conta com dez apresentações gratuitas em sete cidades da região Noroeste Paulista, sendo São José do Rio Preto, Nova Granada, Bady Bassitt, Jales, Votuporanga e Mirassolândia.

A peça estreia em Rio Preto no dia 25/9 e segue até o dia 28/9, diariamente às 19h no Espaço Cultural Salete, localizado na Av. José Vinha Filho, número 1091, no Jardim Vista Bela. Os ingressos são gratuitos e serão distribuídos com meia hora de antecedência de cada sessão.

Segundo Homero Kaneko, o novo trabalho da companhia não segue uma narrativa linear tradicional e narra a jornada de Ulisses, um herói mambembe, que, em busca de sua casa, percorre diferentes espaços urbanos, refletindo sobre a masculinidade, a guerra e os dilemas do Brasil atual.

"A escrita se ancorou na fragmentação dos episódios desse imenso poema que é a Odisseia. Eu não queria que esse texto fosse uma cópia do original, mesmo porque é uma leitura de difícil compreensão.", explica Kaneko. "Escolhi algumas passagens para enfatizar, não há obrigação com a história exatamente como aparece em Homero, mas inspiração e adaptação dessas passagens para podermos falar do nosso mundo atual". 

O Trajeto do Herói

A trama de ØDISSE.IA coloca Ulisses, interpretado por Ícaro Negroni, em uma travessia simbólica, onde o mar cede lugar à estrada e a ideia de jornada se mistura ao cotidiano das cidades. O herói, perdido em ideais de um passado distante, caminha entre diferentes mundos e figuras. Calipso, interpretada por Lari Luma, surge como uma crítica ao mercado de arte, personificando a figura da produtora cultural que seduz e aprisiona o artista em uma lógica de valorização imposta. Já Zeus, interpretado por Jaqueline Cardoso, surge no último ato como a força que altera o destino do herói e conduz o público a um grande show, encerrando a jornada do protagonista.

Além de sua proposta cênica, ØDISSE.IA também se destaca pela interação entre o corpo do ator e a cidade. A rua, como espaço de convivência e circulação, é incorporada à cena, com o ator se relacionando diretamente com o ambiente urbano, criando uma experiência de imersão para o público. 

O diálogo do Neogrotesco com projeções 

Em ØDISSE.IA, a tecnologia assume um papel central, com o uso de projeções e mapeamento de vídeo, inserindo uma dimensão digital à cena. Essa interação entre tecnologia e performance é uma das marcas do trabalho da companhia, que busca explorar o potencial da tecnologia no teatro sem perder a essência do encontro humano.

A peça utiliza projeções e mapeamento de vídeo para criar uma experiência imersiva, onde a tecnologia e o corpo do ator se encontram, ampliando o potencial performático e proporcionando ao público uma nova maneira de vivenciar o teatro.

A companhia é marcada pela constante busca por novas formas de interação com o público e pela exploração de diferentes linguagens teatrais. O diretor apresenta neste novo trabalho a continuação da pesquisa sobre o neogrotesco que a companhia vem levantando desde 2009, um conceito que se apropria de elementos tecnológicos, midiáticos e grotescos para criar uma crítica social e cultural. 

Para o diretor, estes momentos que demarcam trajetórias, são bem-vindos para repensar rotas e recalcular percursos, foi então que ele se deu conta que há semelhanças entre o mito de Ulisses e a companhia. "Olhando pelo retrovisor, são 20 anos de estrada, os mesmo 20 anos que Ulisses demora em sua travessia de volta pra casa. A missão da Companhia Hecatombe, que se elaborou nesse balaio de tempos, justamente na transitoriedade do mundo analógico para o digital, é contestar esse presente, esse momento e as práticas dele. Continuaremos por reconfigurar os dispositivos, a beber da fonte dos mestres e mestras acessíveis, dos saberes ancestrais, a pactuar com a decolonialidade, a reconfigurar as tradições. Tudo isso na tentativa de criar, fabular e imaginar futuros possíveis. ØDISSE.IA vem para materializar nosso devir cênico: é nosso ontem; é nosso hoje; é nosso amanhã", finaliza.

A acessibilidade também é uma prioridade na realização do espetáculo, com recursos de LIBRAS na sessão do dia 27/9 e audiodescrição na sessão do dia 25/9. O projeto é itinerante e foi pensado para ser inclusivo, com o objetivo de garantir que todas as pessoas, independentemente de suas condições, possam vivenciar a experiência teatral. 

Segundo Kaneko, a montagem é um reflexo do desejo da companhia de explorar a rua e a cidade como palco. "A ideia de sair do edifício teatral é antiga, um flerte antigo do neogrotesco. Dessa vez, o espetáculo já nasce com essa proposta, de olhar pro mobiliário urbano, de ocupar com teatro espaços não convencionais, mesmo aqueles que são públicos. O conceito de neogrotesco, que permeia nosso trabalho, ganha nova profundidade ao interagir diretamente com o espaço e o público", finaliza o dramaturgo. 

Sobre a Companhia Hecatombe
A Companhia Hecatombe foi fundada em 2005 e, desde então, tem se dedicado a uma incessante pesquisa cênica, explorando novas formas de interação com o público e se desafiando em obras não-convencionais. Com uma proposta de investigação sobre o neogrotesco e a fusão de elementos tecnológicos com a arte cênica, a companhia busca constantemente novas formas de expressão, sem perder a crítica e a irreverência que marcaram sua trajetória.

Ao longo dos anos, a Companhia Hecatombe apresentou trabalhos que fazem o público refletir sobre assuntos emergentes e contemporâneos, sempre misturando linguagens e referências. Kaneko comenta que ØDISSE.IA marca um momento de reflexão sobre a trajetória da companhia, seus desafios e conquistas, e também sobre o futuro diante das transformações tecnológicas da sociedade contemporânea.

Este projeto foi realizado com apoio do Programa de Ação Cultural – ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura e Governo Federal.

Serviço

ØDISSE.IA - Companhia Hecatombe
Direção e dramaturgia: Homero Kaneko

De 25 a 28 de setembro, às 19h

Classificação: 16 anos

Sessões com acessibilidade: 25/9 com audiodescrição; 27/9 com Libras;

SALETE – Av. José Vinha Filho, 1091, Jardim Vista Bela

Entrada gratuita - retirada de ingressos com meia hora de antecedência.

 

Outras cidades:

09 de Outubro - Nova Granada

19 de outubro - Bady Bassitt

23 de outubro - Jales

24 de outubro - Votuporanga

26 de outubro - Mirassolândia 

 

Sinopse

Em sua ØDISSE.IA, a Companhia Hecatombe ganha as ruas como palco e imagina-se, tal qual Ulisses na Odisseia de Homero, fazendo um longo retorno às suas origens. Pelo caminho, narra sua trajetória de 20 anos, cheia de percalços e desafios desde a Troia, representada pelo sentimento de terra arrasada vivido no Brasil dos últimos anos, até a ilha de Ítaca – o interior –, colonizada agora por conservadores e observada com desdém por grands marchands, ditadores da boa arte (que é feita lá fora e na Capital). O pano de fundo alegórico é uma licença poética para falar sobre colonialidade, desvalorização do artista de teatro e para dar contorno à personagem principal do espetáculo, Ulisses, perdido em seu ideal ultrapassado de masculinidade e guerra. Entre os mundos, clássico e contemporâneo, Atena, a deusa da Inteligência (Artificial).

 

Ficha Técnica

Dramaturgia e direção: Homero Kaneko
Elenco: Ícaro Negroni, Jaqueline Cardoso e Lari Luma  

Orientação do jogo na rua: Fernando Yamamoto

Orientação Vocal: Everton Gennari
Diálogo teórico-estético: Alexandre Mate 

Figurino: Araíne

Visagismo: Gaia do Brasil (supervisão), Liliana Musegante e Nathália Vançan 

Painéis Gráficos: Stan Bellini

Coordenação de produção: Clara Tremura

Produção técnica e videografismo: Rafael Rodrigues
Op. de áudio: Márcio Santana

Produção ações de acessibilidade: Mariana Gagliardi

Audiodescrição: Daniela honório e Fabiana Pezzotti

Assessoria em LIBRAS: A dona legenda (Thaisy Rodrigues)

Assistência de Produção: Beatriz Tremura
Assessoria de Imprensa: João Vitor Boni

Assessoria digital: Giulia Midi

Assessoria de comunicação: Jean Ferrari

Fonte: João Vitor Boni

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