A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) participou, nesta quinta-feira (23), do 7º Congresso Latam Steel Frame e Construção Industrializada, um evento para compartilhamento de soluções, experiências, novos negócios e debates sobre sistemas construtivos mais eficientes, sustentáveis e inovadores da construção. Em um dos painéis, a diretora de Projetos e Programas da CDHU, Maria Teresa Diniz, apresentou iniciativas da Companhia que incorporam a industrialização dentro de políticas públicas de atendimento habitacional.
Participaram, ainda, do debate José Carlos Martins e Dionyzio Klavdianos, ambos membros da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), e Paulo Oliveira, da empresa Aratau Modular. Maria Teresa Diniz destacou a oportunidade de apresentar um avanço das possibilidades de uso de novos métodos construtivos pela CDHU: "Estivemos aqui, no ano passado, compartilhando nossa experiência em São Sebastião. Esse ano, estamos com mais novidades com um edital. Então espero que sempre tenhamos novidades para trazer para cá e que avancemos sempre".
O mediador Paulo Oliveira destacou a importância de discussões como a do painel, para a consolidação de políticas públicas no país. "Discutimos aqui com grandes especialistas e profissionais esse tema de maior importância que é a industrialização e as políticas públicas e como fazemos a industrialização se tornar referência, além de como fazermos para as coisas realmente acontecerem nesse ambiente", falou.
José Carlos Martins, da CBIC, também pontuou que trazer essas iniciativas de industrialização junto ao poder público é fundamental para o crescimento do setor: "O Estado atuar como contratante é importante para o setor. E exemplo disso é a CDHU, que há algum tempo já vem pensando sobre isso. Um outro fator importante é pensar no nosso cliente e projetar o melhor para eles, para que ele possa desejar, cada vez mais, esse bem que ele já sonha hoje".
Dionyzio Klavdianos falou sobre o projeto em andamento de criação de uma Plataforma Aberta para Industrialização, da CBIC em parceria com o SENAI, para ser uma ferramenta de compartilhamento de conhecimentos da área: "Propomos chegar mais rápido ao patamar da industrialização, por meio da implantação de plataformas abertas. Nosso objetivo de médio prazo é realizar um piloto de desenvolvimento e implementação de uma plataforma de produto para demonstrar sua viabilidade", explicou.
A utilização da construção industrializada modular offsite já é uma realidade dentro da gestão estadual. A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), por meio da CDHU, atuou de maneira efetiva e rápida no Litoral Norte, após as fortes chuvas no início de 2023. A construção industrializada foi uma das soluções exploradas. Diante de muitos desabrigados, a situação extrema exigiu da Companhia, responsável pela construção das unidades habitacionais, agilidade no atendimento e inovações, como a escolha de métodos construtivos não convencionais e o reforço na fundação dos empreendimentos, por exemplo.
Assim, após um ano, em tempo recorde, o Governo de São Paulo conseguiu direcionar os moradores que perderam suas casas para as 704 novas unidades habitacionais construídas pela CDHU. Desse total, 518 residências no Bairro Baleia Verde foram construídas em Wood Frame, além de 186 em Maresias com alvenaria estrutural, sendo investidos R$ 260 milhões nos dois empreendimentos. "Tivemos uma execução muito rápida com Wood Frame para atender, principalmente, às famílias afetadas pela Vila Sahy, mas também de outros núcleos da cidade. Com todo o desafio adicional da capacidade de suporte do terreno, de poda de Mata Atlântica e compensação, desafios estruturais, como o do solo, conseguimos entregar em um ano. Atendemos toda a legislação exigida pelo Estado, com alguns ajustes no projeto", contou a diretora da CDHU.
A expansão dessa modalidade de construção, mesmo que desafiadora para a Companhia, visto que ainda não é muito explorada no setor público, tem sido observada com entusiasmo, pois permite trazer ao escopo da CDHU mais inovação e extensão tecnológica, além de mais celeridade às obras.
A partir disso, a CDHU construiu, ao longo do ano de 2023, um Chamamento Público de Homologação de processos de construção industrializada modular offsite para futura aplicação em novos empreendimentos da Companhia. Tal modalidade será adicionada à produção tradicional da CDHU como um complemento, não em substituição.
A meta é construir, dentro do período do Plano Plurianual, até 2027, 7.500 habitações verticais, 7.500 habitações horizontais unifamiliares (casas) e 100 mil metros quadrados de prédios para uso público. "Depois de toda a experiência de São Sebastião, começamos a organizar esse chamamento para contratação de 15 mil unidades. O trabalho de elaboração do edital foi um grande desafio para a Companhia, no sentido de como contratar, analisar os projetos, garantir que esses empreendimentos não tenham perda de qualidade e como entender a questão de custo", explicou Maria Teresa Diniz.
Atualmente, o edital se encontra na etapa de análise e habilitação das propostas. O processo já passou, desde o início do ano, pelo cadastro de interessados e pela inscrição das empresas interessadas. A diretora da CDHU detalhou aos presentes os próximos passos: "Ainda neste mês, queremos começar, entre o final de outubro e começo de novembro, as provas de conceito. Recebemos 78 propostas que estão em análise. Entre elas, 62% vieram em steel frame e 24% em wood frame. Vamos experimentar também, pela primeira vez, a inspeção creditada, pois não temos essa expertise na própria CDHU para analisar esses sistemas produtivos com mais segurança".
As propostas habilitadas passarão para as provas de conceito e pela análise e homologação desses sistemas. Após esse processo, acontecerá a execução em larga escala, com a contratação dos conjuntos habitacionais. Haverá a indicação de terrenos pela própria CDHU ou pelas empresas que podem indicar as áreas por meio da modalidade de Carta de Crédito Associativo (CCA).
Entre as vantagens que a construção industrializada trará ao atendimento habitacional estão o aumento da capacidade do Estado de produção de unidades habitacionais regulares, seguras e de qualidade, a menor emissão de poluentes, a redução de desperdícios, menor geração de resíduos sólidos, além do menor prazo para construção, o que acelera a redução do déficit habitacional.
Fonte: CDHU
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