De 18 a 24 de novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) promove a Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antimicrobianos. O objetivo dessa campanha é chamar atenção para o uso correto desses medicamentos e a importância de frear a resistência microbiana, que ameaça tornar ineficazes medicamentos fundamentais, como antibióticos e antifúngicos. A resistência microbiana é, hoje, uma das dez maiores ameaças à saúde pública global, afetando milhões de pessoas, elevando o tempo de internação e aumentando custos de saúde.

A Dra. Michelle Zicker, infectologista do São Cristóvão Saúde, destaca a gravidade dessa questão. "A resistência aos antimicrobianos compromete o tratamento e pode ser fatal em muitos casos, uma vez que limita nossas opções terapêuticas. É uma situação que gera impacto em todo o sistema de saúde, tornando infecções que eram facilmente tratáveis em verdadeiros desafios, por aumentar a mortalidade e o tempo de internação", explica.

Mas, afinal, o que são os antimicrobianos e como surgiram?

Os antimicrobianos englobam medicamentos como os antibióticos, que combatem infecções bacterianas, e os antifúngicos, usados contra infecções causadas por fungos. A descoberta dos antibióticos revolucionou a medicina. Em 1928, Alexander Fleming descobriu a penicilina, que salvou milhões de vidas, tornando-se um marco no combate a doenças que antes eram fatais, como pneumonia e tuberculose. Com o tempo, surgiram outros grupos de antibióticos, cada qual com ação específica contra diferentes infecções.

Porém, o uso indiscriminado desses medicamentos ao longo dos anos gerou consequências graves: hoje, muitos microrganismos se tornaram resistentes aos tratamentos, dificultando o combate a infecções. A Dra. Michelle alerta que o uso de antibióticos e antifúngicos deve sempre ser feito com cautela e orientação médica, evitando que as bactérias e fungos desenvolvam resistência.

A resistência aos antimicrobianos ocorre quando um microrganismo – como uma bactéria ou fungo – adapta-se ao medicamento, tornando-se imune a ele. Isso significa que tratamentos que antes eram eficazes deixam de funcionar, fazendo com que os pacientes precisem de terapias alternativas, geralmente mais caras e com mais efeitos colaterais.

De acordo com a OMS, infecções por bactérias resistentes aumentam em 50% o risco de morte em comparação com infecções tratáveis. Na América Latina e no Caribe, um estudo de 2024 estimou cerca de 80 mil mortes associadas a bactérias resistentes em 2021, evidenciando que a resistência antimicrobiana é uma crise real e urgente.

O que causa a resistência aos antimicrobianos?

A resistência microbiana é um fenômeno natural, mas que tem sido acelerado pelo uso incorreto desses medicamentos. Entre os principais fatores estão o uso inadequado de antibióticos – como o consumo para tratar gripes e resfriados, que são infecções virais e não respondem a antibióticos – e o uso de antimicrobianos em animais saudáveis para promover crescimento, prática comum na agropecuária. Esses usos inadequados promovem a seleção de microrganismos resistentes, que podem ser transmitidos para humanos e animais, agravando o problema.

A Dra. Michelle enfatiza que o combate à resistência depende de ações coletivas, que vão desde o uso consciente de medicamentos pela população até práticas mais rigorosas entre profissionais de saúde. "A população pode fazer a sua parte ao usar medicamentos antimicrobianos com responsabilidade, sempre com orientação de um médico ou dentista, e seguir corretamente as instruções de uso", afirma. Algumas dicas para o uso adequado incluem:

Jamais usar antimicrobianos sem prescrição médica;
Seguir corretamente a dose e a duração do tratamento, sem interrompê-lo antes do tempo prescrito;
Evitar armazenar sobras desses medicamentos e nunca compartilhar com outras pessoas.

Os profissionais de saúde também têm uma responsabilidade fundamental para minimizar a resistência. Entre as práticas recomendadas estão a prescrição de antimicrobianos apenas quando realmente necessário, evitando o uso para infecções virais e guiando-se por exames sempre que possível.

"A Semana Mundial de Conscientização sobre o Uso de Antimicrobianos é um chamado para refletirmos sobre a importância desses medicamentos e como o uso responsável pode ajudar a preservar sua eficácia. A resistência microbiana é uma ameaça que requer um esforço global." A Dra. Michelle reforça: "Cada um de nós tem um papel crucial neste combate. Ao nos conscientizarmos e adotarmos práticas responsáveis, estamos ajudando a garantir que esses medicamentos continuem eficazes para as próximas gerações."

Sobre o Grupo São Cristóvão Saúde

Administrado pela Associação de Beneficência e Filantropia São Cristóvão, o Grupo São Cristóvão Saúde possui 10 Unidades de Negócio, que englobam: Hospital e Maternidade, Plano de Saúde, Centros Ambulatoriais, Centro Cardiológico, Centro Laboratorial (CLAV), Centro Endogástrico (CEGAV), Centro de Atenção Integral à Saúde (CAIS I e II), Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP Dona Cica) e Filantropia. Referência em saúde, na cidade de São Paulo, a Instituição completou 112 anos em dezembro de 2023. O Grupo promove uma grande modernização e expansão em sua estrutura física e tecnológica, investindo em equipamentos, certificações e profissionais qualificados. Atualmente, o complexo hospitalar conta com 309 leitos, além de oito Centros Ambulatoriais, que realizam milhares de consultas, proporcionando qualidade assistencial às mais de 165 mil vidas do Plano de Saúde e 28 mil vidas do Plano Odontológico.

O Grupo São Cristóvão Saúde tem como Presidente/ CEO o Engº Valdir Pereira Ventura, responsável pelas Unidades de Negócio e, desde 2007, atuando à frente das decisões Institucionais.

Fonte: PR Consulting Global

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