As quedas são um dos maiores riscos à saúde de pessoas idosas e podem resultar em consequências graves, muitas vezes fatais. Entre 2013 e 2022, 70.516 idosos morreram no Brasil devido a quedas, sendo este o terceiro maior motivo de mortalidade entre os maiores de 65 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em Rio Preto, o Hospital de Base (HB) alerta para a importância de procurar atendimento médico imediato após qualquer incidente desse tipo, pois muitas vezes os danos internos não são visíveis a olho nu.

As quedas se tornam um problema crescente à medida que as pessoas envelhecem, especialmente após os 60 anos. Segundo a Dra. Laura Cardoso, geriatra do Hospital de Base (HB), os fatores relacionados ao envelhecimento aumentam significativamente o risco de quedas nesta faixa etária. "Ao longo do tempo, o envelhecimento afeta nossos músculos, flexibilidade e postura. Isso torna os idosos mais suscetíveis a quedas, pois eles perdem a capacidade de manter o equilíbrio e de reagir rapidamente em situações de risco", explica a especialista.

A perda de massa muscular e óssea é uma das principais razões para o aumento do risco de quedas. "Com o envelhecimento, há uma perda óssea natural, que pode ser ainda mais acelerada por doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e artrite reumatoide", afirma a Dra. Laura. Essas comorbidades não só intensificam a perda de músculo e osso, mas também afetam a acuidade visual e auditiva, tornando os idosos ainda mais vulneráveis. "Pacientes com dificuldades de visão e audição  têm maior propensão a cair", acrescenta.

Além disso, as doenças neurológicas, como o declínio cognitivo e a depressão, também contribuem para o aumento do risco de quedas. "O envelhecimento também está relacionado com as doenças neurológicas, o paciente que vem com um declínio cognitivo, tem um aumento no risco de quedas. Paciente depressivo, também têm maior risco de cair por alteração do humor", explica a Dra. Laura. Ela ressalta que o envelhecimento afeta todos os sistemas do corpo, e isso contribui para a maior chance de quedas.

Fatores de risco, como a idade avançada, também não podem ser modificados. A especialista alerta que mulheres, especialmente as mais magras, possuem um risco maior de quedas e fraturas. "Se a pessoa já sofreu uma queda ou teve uma fratura no passado, as chances de um novo acidente aumentam consideravelmente", afirma. Ela também destaca que o histórico familiar tem um papel importante. "Se há antecedentes de fraturas, especialmente de fêmur, em familiares próximos, o risco de quedas é ainda maior", acrescenta Dra. Laura.

Outro dado importante, segundo a geriatra, é o alto risco de mortalidade nos primeiros dois anos após uma queda. "Nos dois primeiros anos após a queda, o risco de morte aumenta significativamente, mesmo que a pessoa tenha sido submetida a cirurgia e a recuperação tenha sido bem-sucedida. As consequências da queda são sentidas por mais tempo, e a mortalidade é mais alta nesse período", alerta. Após esses dois anos, o risco diminui e se estabiliza, tornando-se semelhante ao dos outros pacientes.

Quedas e lesões neurológicas

O recente acidente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 79 anos, e do cantor Agnaldo Rayol, de 86, evidenciaram esse problema de saúde pública que afeta milhares de pessoas idosas no Brasil: as lesões neurológicas referentes à quedas. Só no HB de Rio Preto, em 2024, 115 cirurgias foram realizadas para tratar lesões subdurais crônicas causadas por quedas.

O Dr. Ricardo Caramanti, neurocirurgião do HB, explica que o aumento no número de cirurgias relacionadas a traumatismos cranianos está relacionado ao envelhecimento da população e à maior busca por atendimento médico. "Nosso serviço realiza cerca de 1.800 cirurgias neurológicas por ano, e aproximadamente 125 delas são para tratar hematomas subdurais crônicos. Esse número vem crescendo, o que indica que os idosos estão sofrendo mais traumatismos cranianos e, consequentemente, buscando mais o atendimento médico", afirma.

De acordo com o especialista, muitas vezes os idosos que sofrem quedas não relatam o incidente, seja por vergonha, medo de sobrecarregar os familiares ou até pela falta de percepção do risco. "Muitos pacientes omitem a queda, não querem incomodar a família ou evitar o hospital. Porém, isso pode ser fatal. Quando se trata de hematomas intracranianos, por exemplo, pode ser que o sangramento seja pequeno e imperceptível inicialmente, mas se não tratado, pode se agravar e resultar em sérios problemas de saúde", alerta o neurocirurgião.

O alerta é claro: quando ocorre um trauma craniano, mesmo que sem perda de consciência, é fundamental que o idoso seja rapidamente avaliado por um médico especializado. A recomendação é realizar exames de imagem nas primeiras 4 a 6 horas após a queda para verificar possíveis hematomas.

"O impacto de uma queda pode variar. Hematomas mais agudos podem causar perda de consciência e déficits focais, semelhantes aos de um acidente vascular cerebral (AVC), enquanto hematomas crônicos, como os subdurais, podem manifestar sintomas mais sutis, como dores de cabeça persistentes, fraqueza progressiva e até problemas de memória, muitas vezes confundidos com Alzheimer ou demência", explica o Dr. Ricardo. Ele ainda ressalta que o tratamento adequado pode reverter a condição e permitir que o idoso recupere suas funções normais, caso o hematoma seja drenado a tempo.

Com o envelhecimento da população, o número de quedas entre os idosos tende a aumentar, tornando cada vez mais urgente a conscientização sobre a importância do atendimento médico imediato após qualquer queda. A prevenção e o tratamento rápido de lesões internas podem salvar vidas e evitar sequelas graves para os idosos.

Reabilitação de Idosos após Quedas: Cuidados e Prevenção

A queda de idosos é um problema comum, mas muitas vezes subestimado. Quando uma pessoa idosa sofre uma queda, as consequências podem ser muito mais graves do que um simples hematoma ou fratura. O Instituto Lucy Montoro, referência na reabilitação de pacientes vítimas de queda, tem se destacado na reabilitação de idosos que sofreram lesões graves, como hematomas subdurais. 

A diretora da instituição, Dra. Regina Chueire, explica que os cuidados com esses pacientes diagnosticados com lesões subdurais exigem uma abordagem multidisciplinar.

"Após um diagnóstico de hematoma subdural, é muito comum que o paciente apresente um estresse pós-traumático. Isso ocorre porque, muitas vezes, uma queda simples pode ter uma repercussão neurológica tão grande, sendo necessário trabalhar o  impacto emocional da queda e a prevenção de novas quedas", esclarece. 

Esse processo de recuperação inclui acompanhamento psicológico, já que as vítimas de quedas podem desenvolver um quadro de insegurança, medo e até depressão. "O suporte psicológico é essencial. Além disso, trabalhamos no fortalecimento do equilíbrio e na reabilitação física, com exercícios específicos e acompanhamento regular", explica a Dra. Regina.

Em muitos casos, também é necessário que o idoso faça um acompanhamento com oftalmologista para avaliar a visão, já que problemas de acuidade visual podem contribuir para o risco de quedas. "É importante garantir que os óculos estejam com o grau adequado. Para aqueles com dificuldades de equilíbrio mais graves, o uso de bengalas, especialmente as de quatro pontas, pode ser recomendado", completa.

A reabilitação de idosos após uma queda envolve também a prevenção de novos acidentes. Dra. Regina chama a atenção para a importância de um programa de exercícios focado no fortalecimento dos membros inferiores, além de alongamentos e exercícios de equilíbrio. "Além disso, orientamos as famílias a retirar do ambiente elementos que possam facilitar a queda, como tapetes e móveis mal posicionados e deixar sempre uma iluminação indireta no quarto, iluminando o caminho para o banheiro, por exemplo, momento em que frequentemente acontecem quedas de idosos", afirma.

Fonte: Hospital de Base

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