Imagem gerada por IA com auxílio do ChatGPT (OpenAI)

Você já viu alguém com um olho de cada cor? Essa característica incomum, que chama atenção por sua beleza e raridade, é conhecida como heterocromia ocular. Embora desperte curiosidade e até inspire personagens de filmes e séries, a diferença na coloração dos olhos pode ter origens diversas — e, em alguns casos, indicar condições que merecem investigação médica.

A oftalmologista Dra. Jaqueline Ruiz, do H.Olhos – Hospital de Olhos da Vision One, explica que a heterocromia ocorre quando há variação na quantidade ou na distribuição da melanina, o pigmento responsável pela cor da íris. "Há situações em que um olho é totalmente diferente do outro, o que chamamos de heterocromia completa. Em outros casos, apenas parte do olho apresenta coloração distinta, como uma faixa ou mancha de tom diferente", esclarece.

Segundo a médica, a condição não é uma doença em si, mas um achado ocular que pode ter diversas origens. "Quando a heterocromia é observada já no nascimento, costuma estar relacionada a fatores genéticos ou alterações durante o desenvolvimento embrionário. A cor dos olhos é determinada por um conjunto de genes, entre eles o OCA2 e o HERC2, que influenciam na produção e na distribuição de melanina no tecido ocular", explica.

No entanto, mesmo quando aparece desde o nascimento, nem sempre há uma herança direta de pais para filhos. "Podem ocorrer mutações espontâneas ou mosaicismos, situações em que há pequenas variações genéticas apenas em determinadas células. Nesses casos, a heterocromia pode ser completamente isolada, sem qualquer relação com doenças", destaca a oftalmologista.

Há, porém, síndromes e condições genéticas associadas à heterocromia. Entre elas, a Síndrome de Waardenburg, que envolve alterações de pigmentação e perda auditiva; a Síndrome de Sturge-Weber, marcada por angiomas e risco de glaucoma; e a Síndrome de Parry-Romberg, que causa assimetria facial e pode afetar a coloração dos olhos. "Esses quadros são raros, mas ilustram como a diferença de cor pode ser apenas estética ou um indício de algo mais complexo", observa a especialista.

A heterocromia também pode se desenvolver ao longo da vida, resultado de traumas, inflamações, uso de colírios específicos, tumores ou doenças que alteram a pigmentação da íris. "Certos medicamentos usados no tratamento do glaucoma, como os análogos de prostaglandina, estão entre os fatores que podem escurecer o olho de forma gradual. Já inflamações crônicas, como a iridociclite de Fuchs, podem provocar clareamento da íris", detalha a Dra. Jaqueline Ruiz.

Entre as causas neurológicas, a Síndrome de Horner também pode gerar heterocromia, especialmente quando ocorre na infância. "Nessa condição, há redução do estímulo simpático para o olho, o que diminui a atividade dos melanócitos e torna a íris mais clara no lado afetado", explica.

Outras situações, como traumas ou cirurgias oculares, também podem modificar a pigmentação. "Quando há lesão direta na camada de melanócitos ou sangramentos dentro do olho, pode haver depósito de ferro ou outras substâncias, alterando a cor. É uma mudança estrutural, e não apenas aparente", completa a médica.

Em relação à visão, a heterocromia congênita isolada geralmente não causa prejuízo funcional. "Quando a diferença de cor é apenas uma característica estética, não há impacto na acuidade visual. O problema surge quando há doenças associadas, como uveítes, tumores ou glaucoma. Nessas situações, o quadro precisa ser tratado para evitar complicações", alerta.

Para identificar a causa, o diagnóstico é inicialmente clínico, feito pela observação direta dos olhos. "O oftalmologista avalia o histórico do paciente, verifica se a diferença é recente e examina toda a estrutura ocular. Quando necessário, podem ser solicitados exames de imagem, como tomografia de coerência óptica, ou avaliação da pressão intraocular", explica a especialista.

A médica também destaca que há condições que podem simular heterocromia, sem alteração real da íris. "Mudanças de iluminação, cicatrizes corneanas ou diferenças no tamanho das pupilas podem dar a impressão de cores distintas. Por isso, o exame detalhado é fundamental para descartar outras causas", pontua a Dra. Jaqueline Ruiz.

Quando o diagnóstico confirma que a diferença de cor é apenas estética, não há necessidade de tratamento. "Alguns pacientes procuram soluções por razões pessoais ou estéticas, e há opções seguras, como lentes de contato coloridas que igualam o tom dos olhos. Já procedimentos invasivos, como implantes de íris com fins cosméticos, não são recomendados, pois trazem riscos sérios e são indicados apenas em casos de reconstrução após trauma", esclarece.

A oftalmologista reforça que o acompanhamento regular é importante, sobretudo se a alteração surgir de forma repentina. "Qualquer mudança na cor dos olhos merece atenção. A avaliação médica permite distinguir o que é apenas uma variação natural do que pode estar ligado a uma doença ocular ou sistêmica", finaliza a Dra. Jaqueline Ruiz, do H.Olhos – Hospital de Olhos da Vision One.

Fonte: TargetSP

Colégio Catanduva inicia ano letivo com Semana de Planejamento

Leia mais...

Pacaembu anuncia seu primeiro bairro em Bady Bassitt

Leia mais...

Prefeitura de Catanduva divulga orientações finais do Bolsa Atleta Olímpico 2026 e reforça prazo para inscrições

Leia mais...

Verão na estrada: calor intenso e chuvas exigem atenção redobrada

Leia mais...

Filho de vereador é preso suspeito de furtar gado Nelore em Ibirá

Leia mais...

Sebrae-SP e Embrapa selecionam startups para validar soluções inovadoras em fazenda experimental

Leia mais...