O número de adultos brasileiros com diabetes aumentou 35% entre 2006 e 2024, passando de 5,5% para 12,9%. Os dados constam no Vigitel 2025, pesquisa que apresenta retrato da população brasileira sobre fatores de proteção e de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como hábitos alimentares e prática de atividades físicas. Dentre os tipos de diabetes, a maioria é de diabetes Tipo 2, que ocorre quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz (denominado resistência à ação da insulina) ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de glicemia.

 

Dra. Juliane Neves, médica endocrinologista do Padre Albino Saúde, lembra que a base para a alteração no controle da glicemia no diabetes tipo 2 tem como fatores de risco principais a obesidade, a dieta não saudável e a falta de atividade física. "Esse tipo de diabetes se manifesta mais frequentemente em adultos, mas, com o aumento de casos de obesidade em crianças e adolescentes, após mudança de hábitos, também cresceu o número de diagnósticos entre pessoas mais jovens. Dependendo da gravidade pode ser controlado com atividade física e planejamento alimentar. Em outros casos exige o uso de medicamentos para controlar a glicose, podendo ser necessário o uso de insulina em algumas situações", ressalta.

 

 

Em relação ao diabetes Tipo 1, que afeta aproximadamente 600 mil pessoas no país, acontece em indivíduos com predisposição genética, nas quais o sistema imunológico ataca equivocadamente as células beta, células do pâncreas que produzem insulina. A doença aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Essa variedade é sempre tratada com insulina, planejamento alimentar e atividades físicas para ajudar a controlar o nível de glicose no sangue. Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil ocupa o 6º lugar no mundo entre os países com mais pessoas com diabetes no geral e o 3º lugar quando se fala em diabetes Tipo 1.

 

De acordo com a Dra. Juliane Neves, outro ponto de atenção é que muitas pessoas convivem com o diabetes sem saber que têm a doença já que, em diversos casos, os sintomas podem demorar para aparecer. "Sinais como sede excessiva, vontade frequente de urinar, visão turva e emagrecimento sem causa aparente podem surgir de forma gradual, o que faz com que muitos pacientes só descubram a doença após exames de rotina ou quando já apresentam alguma complicação. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações futuras e garantir mais qualidade de vida ao paciente. Por isso é importante manter consultas e exames em dia, especialmente pessoas com histórico familiar, obesidade, sedentarismo ou outros fatores de risco", explica.

 

Foto: Divulgação

 

Fonte: Eric Ribeiro Conceição - FPA

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