O coração bate, em média, cerca de 100 mil vezes por dia. É um músculo incansável, que trabalha continuamente desde antes do nascimento até o último momento de nossas vidas. Justamente por ser tão essencial, qualquer alteração em seu funcionamento merece atenção. As doenças cardiovasculares, que afetam o coração e os vasos sanguíneos, estão entre os principais problemas de saúde pública e são a principal causa de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares provocam cerca de 19,8 milhões de mortes por ano. A maioria dos casos está relacionada a condições que podem ser prevenidas ou controladas, principalmente por meio da adoção de hábitos saudáveis, do acompanhamento médico e do controle dos fatores de risco.
De acordo com a cardiologista do Padre Albino Saúde/PAS, Dra. Thais Paim, as doenças cardiovasculares compreendem um conjunto de condições que atingem o coração e o sistema circulatório, incluindo artérias, veias e capilares. "Elas abrangem uma série de condições diferentes, das mais comuns às mais raras, mas todas têm em comum o fato de comprometer a capacidade do coração de funcionar adequadamente. Entre as doenças mais frequentes está a doença arterial coronariana, que ocorre quando as artérias responsáveis por levar sangue ao músculo cardíaco ficam estreitadas ou obstruídas pelo acúmulo de placas de gordura, processo conhecido como aterosclerose. Quando a obstrução acontece de forma súbita e completa pode ocorrer o infarto. Também fazem parte das doenças cardiovasculares as arritmias, caracterizadas por alterações no ritmo dos batimentos cardíacos, a insuficiência cardíaca, quando o coração não consegue bombear sangue adequadamente para o organismo, e o acidente vascular cerebral (AVC), provocado pela interrupção do fluxo sanguíneo para determinada região do cérebro", lembra.
Ainda segundo a cardiologista, um dos desafios relacionados às doenças cardiovasculares é que algumas delas podem se desenvolver silenciosamente durante anos. A aterosclerose, por exemplo, pode avançar sem provocar sintomas perceptíveis até que surja uma complicação. Por isso não é necessário esperar algum sinal para começar a cuidar do coração. "A prevenção é fundamental porque muitas alterações podem estar presentes mesmo quando a pessoa se sente bem. O acompanhamento médico permite identificar precocemente fatores de risco e alterações que, se controladas, podem evitar complicações futuras", destaca. Entre os sinais que merecem atenção estão dor ou pressão no peito, falta de ar, cansaço excessivo diante de atividades que antes eram realizadas com facilidade, palpitações, tontura, desmaio e inchaço nas pernas e nos tornozelos. No caso do infarto é importante lembrar que nem sempre os sintomas seguem o mesmo padrão. Nas mulheres, por exemplo, as manifestações podem ser menos típicas, como falta de ar, cansaço repentino e desconforto abdominal, além ou mesmo em lugar da dor intensa no peito. Por isso, sintomas súbitos e incomuns devem ser avaliados rapidamente por profissional de saúde. Já no AVC, de acordo com a Dra. Thais, os sinais de alerta podem incluir perda de força ou sensibilidade em um dos lados do corpo, dificuldade súbita para falar ou compreender, alterações na visão, tontura e perda de equilíbrio.
Fatores de risco e prevenção
Entre os principais estão a hipertensão arterial, o diabetes, o colesterol elevado, o tabagismo, o sedentarismo, o excesso de peso e a obesidade. Uma alimentação pouco saudável, rica em sal, açúcar e gorduras, o consumo nocivo de bebidas alcoólicas e a exposição à poluição do ar também estão relacionados ao aumento do risco cardiovascular. Alguns fatores, por outro lado, não podem ser modificados, como a idade, o histórico familiar e determinadas características individuais. Isso não significa, porém, que a prevenção deixe de ser importante. Pelo contrário: quando existem fatores de risco que não podem ser alterados, controlar aqueles que podem é ainda mais importante. "É preciso olhar para o risco cardiovascular de forma global. Não é apenas um fator isolado, mas a combinação deles que pode aumentar significativamente a possibilidade de desenvolver uma doença. Por isso, controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicemia, não fumar, manter alimentação equilibrada e praticar atividade física são medidas que fazem diferença", orienta a cardiologista do Padre Albino Saúde.
Foto: Divulgação PAS/PEXELS
Fonte: Comunicação PAS
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