Quando se fala em produção independente, logo pensamos em nome de mulheres famosas como Karina Bacchi e Mariana Kupfer, que decidiram ter um filho sem uma figura paterna conhecida. Entre os homens, a iniciativa não é tão popular, porém talvez a falta de conhecimento de que dá para ter um filho sem precisar de uma companheira possa ser um dos fatores que influenciam a baixa procura.

Em 2017, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução sobre as normas para utilização das técnicas de medicina reprodutiva. No documento, o órgão garante que homens e mulheres possam ter um bebê por meio da reprodução assistida sem a figura de um(a) parceiro(a) conhecido(a). Ou seja, além das mulheres, os homens também podem partir para a produção independente, mas, nesse cenário, há a necessidade da participação de uma mulher para gerar o bebê, no que é chamado de barriga solidária ou útero de substituição.

No caso dos homens que querem constituir família sozinhos, a Fertilização in Vitro (FIV) é o tratamento de escolha, mas há duas particularidades para os futuros papais que vão trilhar a produção independente.

“Será necessário recorrer a um banco de óvulos de doadoras anônimas e que uma parente de até quarto grau receba o embrião e faça o pré-natal do bebê gerado a partir do espermatozoide do papai independente e do óvulo da doadora”, explica Jorge Barreto, médico especialista em reprodução humana do CEFERP - Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto. A parente pode ser a mãe, a irmã, a filha, a sobrinha, a tia ou a prima.

É o que fez Marcelo das Neves Junior, de Serrana (SP), que teve os filhos Maria Flor e Noah gerados pela mãe, Valdira das Naves, na época com 44 anos. Os bebês nasceram no dia 3 de setembro de 2019, no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

“Como sou pai de primeira viagem e solteiro, está sendo um desafio cuidar de dois bebês, muita coisa nova, mas minha mãe está me ajudando com toda a rotina, papinhas, banho”, conta Marcelo, que agora se prepara para passar seu primeiro Dia dos Pais acompanhado dos filhos. “Esse é o ano especial da minha vida, por mais que esteja acontecendo tudo que está acontecendo no mundo. Estou aqui com meus filhos, saudáveis, e agradeço muito a Deus por isso.”

Como funciona o processo de produção independente masculina

Com a definição de quem será a barriga solidária, a clínica encaminha todos os envolvidos para uma avaliação psicológica. Depois, o processo é o mesmo que passa um casal ou uma mulher que também decide por uma produção independente.

O homem escolhe um perfil de doadora dos óvulos, que precisa ser anônima. “Não é possível contar com os óvulos de uma amiga, por exemplo. O anonimato é estabelecido pelo CFM e nem a doadora saberá para quem os óvulos foram doados”, afirma o médico.

No laboratório, o embrião é formado com o óvulo da doadora e o espermatozoide do homem e depois transferido para o útero da barriga solidária. No caso de Marcelo, foram dois embriões.

“É importante lembrar que o pai biológico tem que garantir o seguimento médico durante a gravidez, o parto e após os primeiros meses do nascimento”, comenta Jorge Barreto, ressaltando ainda que a técnica para produção masculina independente também é utilizada para casais homoafetivos masculinos terem seus bebês.

Foto: Valdira, Marcelo e os bebês Maria Flor e Noah Gabriel Nunes

Fonte: Outras Palavras Comunicação Empresarial

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