Decidir o momento certo de mudar de emprego é uma das decisões mais importantes na vida profissional. Muitas vezes, o desejo de transição surge diante de fatores como falta de reconhecimento, ausência de perspectivas de crescimento, desalinhamento com a cultura da empresa ou até mesmo problemas de relacionamento com a liderança.

"Profissionais começam a pensar numa mudança quando percebem que o ambiente em que atuam não os impulsiona mais, seja por falta de um plano claro de carreira, reconhecimento ou compatibilidade com valores compartilhados", explica o especialista em gestão de carreira e professor de Gestão de Pessoas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), Marcelo Treff.

Segundo o especialista, alguns sinais funcionam como alertas claros de que pode ser a hora de buscar novos caminhos. A falta de motivação diária, a sensação de estagnação e a perda de propósito são alguns deles. O desgaste emocional e físico também merece atenção. "Quando o ambiente de trabalho começa a custar emocional e fisicamente, deixando de inspirar e desenvolver seus colaboradores, é sinal claro de que a busca por algo mais alinhado se torna não apenas lógica, mas necessária", afirma Treff.

Um ponto delicado nesse processo é decidir se deve ou não avisar a chefia antes de concretizar a mudança. O professor destaca que a escolha depende muito da relação estabelecida com o líder. "Se você tem uma relação de confiança com seu gestor e sente abertura para conversar, pode ser valioso trazer essa informação antes de tudo se encaminhar. Mas, caso exista instabilidade, é mais prudente aguardar até o momento apropriado — geralmente só quando a nova oferta estiver confirmada", orienta.
 

Mas não é apenas o colaborador que deve refletir sobre esse processo. As empresas também precisam estar atentas aos sinais de insatisfação para evitar a perda de talentos. Planos de carreira claros, lideranças próximas, reconhecimento, feedbacks constantes e um ambiente coerente com os valores dos funcionários são fatores decisivos para a retenção. "Empresas que oferecem clareza, respeito e proximidade consciente com seus colaboradores aumentam significativamente as chances de manter profissionais comprometidos e engajados — antes que eles pensem em sair", ressalta Treff.
 

Para o professor, identificar o momento de partir é também uma forma de autoconhecimento e respeito pelo próprio desenvolvimento. "Reconhecer a hora certa de seguir em frente é um passo de maturidade profissional, que deve ser feito com responsabilidade, mas também com coragem", conclui.

O especialista: Marcelo Treff é professor de Gestão de Pessoas da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). Doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atua com os seguintes temas: Gestão da Carreira, Gestão de Competências, Gestão de Pessoas e Comportamento Organizacional.

Fonte: FECAP - Assessoria de Imprensa

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