A recente adesão do Brasil à Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), coalizão que busca mobilizar capital político, técnico e financeiro para o enfrentamento do problema, é muito oportuna, pois o Semiárido de nosso país é apontado como uma das áreas do planeta nas quais o aquecimento global tem provocado efeitos mais drásticos. É o que indica o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo das Nações Unidas.

Números atualizados do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima confirmam a necessidade de medidas urgentes e eficazes para reverter o preocupante cenário: cerca de 38 milhões de brasileiros, de 1.561 municípios, são vulneráveis à desertificação e à seca, assim como 1,4 milhão de quilômetros quadrados de terras em 13 estados.

Os diagnósticos apontam que, por causa das mudanças climáticas, a região de Semiárido e Caatinga, englobando parte expressiva do Nordeste e do Norte de Minas Gerais, tem enfrentado secas mais intensas e temperaturas mais altas do que as habituais. Tais condições, acrescidas do avanço do desmatamento, tendem a agravar a desertificação, que, segundo o IPCC, já engloba áreas não contínuas que, somadas, equivalem ao tamanho da Inglaterra ou três vezes o Estado do Rio de Janeiro.

Há soluções viáveis para melhorar bastante esse cenário. Em concordância com especialistas nesse tema, acredito que uma das principais estratégias para lidar com a seca seja a gestão integrada dos recursos hídricos. Isso exige a articulação dos governos federal e estaduais, prefeituras, comunidades e produtores rurais, inclusive da agricultura familiar. A ideia é promover o uso sustentável e equitativo da água.

Também é fundamental concluir o projeto de Transposição do Rio São Francisco, que já está praticamente pronto, e acelerar a distribuição da água para os estados abrangidos, ou seja, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Outra medida relevante é o investimento em tecnologias e práticas que promovam a adaptação às condições climáticas adversas, como o cultivo de espécies vegetais resistentes à seca, sistemas de irrigação inteligentes e adoção de técnicas de manejo do solo que aumentem sua capacidade de retenção de água.

Para viabilizar essas soluções é decisivo o engajamento dos produtores rurais, como demonstra o êxito na proteção de extensas áreas e mananciais hídricos em numerosas fazendas, sítios e até pequenas propriedades familiares do Brasil. Nesse sentido, seria interessante que o Plano Safra, cuja edição 2024/2025 acaba de ser lançada pelo governo, destinasse mais recursos, com juros menores, ao combate à seca.

Do montante total anunciado, de R$ 400,59 bilhões, a única rubrica que se encaixa no combate à desertificação refere-se ao Programa para Financiamento a Sistemas de Produção Agropecuária Sustentáveis (RenovAgro), com aporte de R$ 7,68 bilhões, que incorpora os financiamentos destinados à adaptação à mudança do clima e baixa emissão de carbono. Porém, além do valor estar aquém das dimensões do desafio a ser enfrentado, as taxas de juros, entre 7% e 8,5% ao ano, embora inferiores às do mercado financeiro convencional, ainda são elevadas, principalmente se levarmos em conta o número expressivo de agricultores familiares nas áreas mais afetadas.

Considerando a premência do combate às secas e recuperação de áreas desertificadas, cabe urgente mobilização do poder público, em articulação com o setor do agronegócio, produtores rurais e organismos científicos, como a Embrapa, para solucionar o problema. Os ganhos serão muitos em termos de proteção ambiental, atenuação das mudanças climáticas, aumento da produção agrícola sustentável e geração de emprego e renda.

*João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro (Escola de Engenharia de São Carlos - EESC/USP), empresário e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA).

Fonte: Viveiros

Colégio Catanduva inicia ano letivo com Semana de Planejamento

Leia mais...

Pacaembu anuncia seu primeiro bairro em Bady Bassitt

Leia mais...

Prefeitura de Catanduva divulga orientações finais do Bolsa Atleta Olímpico 2026 e reforça prazo para inscrições

Leia mais...

Verão na estrada: calor intenso e chuvas exigem atenção redobrada

Leia mais...

Filho de vereador é preso suspeito de furtar gado Nelore em Ibirá

Leia mais...

Sebrae-SP e Embrapa selecionam startups para validar soluções inovadoras em fazenda experimental

Leia mais...