O livro "Seja Homem: a masculinidade desmascarada", de autoria de JJ Bola, foi lançado recentemente pela editora Porto Alegre e traz um prefácio assinado por Emicida. Por meio de exemplos do cotidiano, o autor desmascara padrões, estereótipos e estigmas relacionados à masculinidade.

JJ Bola é um escritor, poeta e educador congolês que reside em Londres. Trabalhou na assistência de jovens com distúrbios de comportamento e problemas de saúde mental, lidando com os problemas de saúde mental, insegurança e baixa autoestima vividos por muitos jovens hoje. Ou seja, conhece de perto a realidade que meninos e meninas enfrentam diante das pressões impostas pela masculinidade hegemônica, também chamada de tóxica.

De acordo com JJ Bola, a condição do sujeito na qualidade de homem, bem como a masculinidade associada a esse ideal, não é uma unidade fixa. É uma condição que está em permanente mudança. Porém, existem várias máscaras sobre a masculinidade que são transmitidas geracionalmente como verdades absolutas. Qualquer menino que por acaso não se encaixe nos estereótipos é virtualmente exilado do clã masculino.

Esses estereótipos acerca da masculinidade (heteronormativo, fisicamente apto, corajoso, forte, no controle, ativo, sexualmente experiente, prontidão sexual, fala firme, não demonstra emoções, sabe se defender, não chora, sexualmente impositivo, trabalhador, provedor, não comete erros, não desiste, aguenta o tranco, competitivo, bem-sucedido, dominante em relação à mulher) funcionam para reforçar noções limitadas do que um homem pode e não pode ser. Os estereótipos são subjetivados, funcionam em múltiplos contextos e exercem acentuada pressão sobre os homens.

Uma dessas máscaras está presente na ação discursiva "Seja Homem" que dá título ao livro. Essa expressão é usada como uma ferramenta de silenciamento e restrição emocional, em especial com meninos durante a infância. Os meninos aprendem que expressar sentimentos, ainda mais com demonstrações da vulnerabilidade, como o choro, são fraquezas. Eles internalizam a censura de um modo que, quando fazem a transição da infância para a adolescência e, depois, para a vida adulta, eles reprimem internamente as emoções e nunca se dão conta da violência a que foram submetidos.

As máscaras da masculinidade são usadas para reforçar uma perspectiva estereotípica do que um homem deve e não deve ser. O livro de JJ Bola nos ajuda a tirar essa máscara, mostrando que a masculinidade é fluida e está sempre mudando. O sistema do patriarcado não é permanente: ele foi criado pelas pessoas, assim como todos os sistemas de opressão e, por isso, também pode ser transformado pelas pessoas.

Mas o sistema social só é modificado pelas pessoas que trabalham pela visão de uma vida melhor, um caminho que preserva o oikos ( a casa comum) no lugar de destruí-lo. Um caminho que nos estimula no lugar de oprimir, que nos enche de alegria e esperança no lugar de tristeza e raiva. É o momento que estamos vivendo. Sem as máscaras conseguimos enxergar nossos rostos, nossas faces. Quando removemos as máscaras, vemos o que existe por trás. O que somos de verdade é quem nós escolhemos ser.

*Jorge Miklos é analista junguiano e sociólogo. Graduado em História e Ciências Sociais. Especialista em Psicologia Analítica. Mestre em Ciências da Religião e Doutor em Comunicação Social. Coordena uma pesquisa sobre as masculinidades contemporâneas

Fonte: R&F Comunicação Corporativa

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