A Câmara Municipal de Paraíso (SP) abriu investigações contra o prefeito Osvalte José Bovoni (PL), aprovando instalação de uma CPI que analisa denúncias de gestão questionável da 35ª Festa do Peão de Boiadeiro. Uma reclamação registrada junto à Ouvidoria do Legislativo apontou irregularidades financeiras e administrativas no evento.
O Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado já receberam toda a documentação e estão analisando o caso em paralelo. A investigação promete ser complexa e deve envolver a análise de diversos documentos, prints e depoimentos.
Entre as principais questões levantadas está a criação de uma comissão paralela que supostamente funcionou como uma estrutura financeira informal. Segundo as denúncias, boa parte do dinheiro arrecadado através de patrocínios, camarotes e estacionamento teria circulado sem registros contábeis adequados — estimativas apontam que cerca de 70% das receitas não foram registradas nos livros da prefeitura.
Há também preocupações sobre como os recursos foram movimentados. Contas particulares de membros de comissões e máquinas de cartão pessoais teriam servido como canais para essas transações, em vez de instrumentos públicos oficiais.
A questão das compras e contratações também aparece nas investigações. Trabalhos e fornecedores teriam sido contratados sem os procedimentos de licitação que a lei exige. E quanto aos registros finais do evento, o prazo legal de 30 dias para apresentação de contas teria sido desrespeitado.
Num episódio particularmente curioso durante uma audiência pública realizada em junho, um membro da comissão teria mostrado publicamente um envelope com R$ 13 mil em espécie, descrevendo-o como "o restante dos patrocínios".
Dependendo do que encontrar, o Ministério Público e o TCE podem tomar suas próprias medidas, que podem incluir consequências na esfera civil, administrativa e até criminal.
Fonte: JORNAL EM PAUTA
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