Cirurgião dentista Israel Vicente, responsável pelo Serviço de Cirurgia e Traumatologista Bucomaxilofacial do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares

Dor na mandíbula, estalos ao abrir a boca, dores de cabeça frequentes, zumbido no ouvido, sensação de ouvido tampado e dificuldade para mastigar podem parecer problemas sem relação entre si. No entanto, esses sintomas muitas vezes têm uma mesma origem: a Disfunção Temporomandibular (DTM), alteração que acomete a articulação temporomandibular (ATM), responsável pelos movimentos da mandíbula.

O problema é muito mais comum do que a maioria das pessoas imagina. Uma revisão sistemática com metanálise publicada no Journal of Oral Rehabilitation analisou dados de mais de 6.300 brasileiros e concluiu que 33,6% da população apresenta algum tipo de disfunção temporomandibular. Em outras palavras, aproximadamente um em cada três brasileiros convive com o problema, muitas vezes sem saber.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores brasileiros a partir da análise dos principais estudos realizados no país, também identificou que as mulheres são as mais afetadas pela DTM, com prevalência de aproximadamente 37%, enquanto entre os homens o índice é de cerca de 29%. Adultos jovens e de meia-idade concentram a maior parte dos casos, e fatores como estresse, ansiedade e bruxismo figuram entre os principais associados ao desenvolvimento da doença.

A DTM ainda é subdiagnosticada porque seus sintomas frequentemente são confundidos com outras doenças, ressalta o cirurgião dentista Israel Vicente, responsável pelo Serviço de Cirurgia e Traumatologista Bucomaxilofacial do IMC – Instituto de Moléstias Cardiovasculares, de Rio Preto.

"Muitas pessoas passam anos tratando dores de cabeça, dores de ouvido ou desconfortos na face sem imaginar que a origem do problema está na articulação da mandíbula. Como os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças, o diagnóstico correto é fundamental para que o tratamento seja realmente eficaz", explica Dr. Israel Vicente.

Considerada uma das articulações mais complexas do organismo, a ATM participa de funções essenciais como mastigação, fala, deglutição, respiração e até da qualidade do sono. Quando apresenta alterações, pode provocar dor facial, limitação para abrir a boca, estalos, travamentos da mandíbula e irradiar desconforto para a cabeça, pescoço e ouvidos.

Segundo o cirurgião dentista do IMC, nos últimos anos, o diagnóstico da DTM tornou-se mais preciso graças à adoção de protocolos clínicos internacionalmente validados e ao uso de exames de imagem de alta resolução, como a tomografia computadorizada Cone Beam e a ressonância magnética, que permitem avaliar detalhadamente tanto as estruturas ósseas quanto os tecidos moles da articulação.

O tratamento também evoluiu significativamente. Hoje, a maioria dos pacientes pode ser tratada por meio de abordagens conservadoras e individualizadas, que incluem placas oclusais, fisioterapia especializada, exercícios terapêuticos, controle do bruxismo, medicamentos e mudanças de hábitos relacionadas ao estresse. Procedimentos minimamente invasivos e cirurgias são indicados apenas para casos específicos.

O Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial do IMC possui equipe especializada que realiza diagnósticos precisos e tratamentos de doenças que afetam a face, os maxilares e a articulação temporomandibular. Incluem as disfunções da ATM, bruxismo, dores faciais, deformidades dos maxilares, traumatismos da face e outras alterações que comprometem funções importantes do dia a dia, como mastigação, fala e respiração.

Os pacientes têm acesso a avaliação clínica especializada, investigação diagnóstica detalhada e tratamento individualizado, definido conforme as características de cada caso.

Dez sinais que podem indicar disfunção da ATM

A Disfunção Temporomandibular (DTM) pode se manifestar de diferentes formas e, por isso, muitas vezes é confundida com outros problemas de saúde. Segundo o Dr. Israel Vicente, é recomendável procurar avaliação especializada quando um ou mais destes sintomas são frequentes:

•    Estalos ou ruídos ao abrir e fechar a boca.
•    Dor na mandíbula ou próximo aos ouvidos.
•    Dificuldade ou limitação para abrir completamente a boca.
•    Travamento da mandíbula ao abrir ou fechar a boca.
•    Dores de cabeça frequentes, especialmente na região das têmporas.
•    Dor ou cansaço ao mastigar.
•    Zumbido, sensação de ouvido tampado ou dor de ouvido sem causa aparente.
•    Dor na face, no pescoço ou nos ombros.
•    Bruxismo (ranger ou apertar os dentes, principalmente durante o sono).
•    Desgaste excessivo dos dentes associado a dores na mandíbula.

Fonte: Assessoria Funfarme

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