A energia solar se tornou a terceira maior fonte da matriz nacional, em julho, ultrapassando as termelétricas de gás natural e de biomassa, segundo dados da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). De acordo com a entidade, o país tem hoje 16,4 gigawatts de potência instalada em energia solar em usinas solares fotovoltaicas, considerando a geração centralizada (projetos de grande porte) e a distribuída (instalações menores em telhados, fachadas e terrenos). O índice é superior ao gás natural e biomassa, perdendo apenas para hidrelétricas e dos parques eólicos. Com matriz energética em alta, cresce a procura de empresas privadas por linhas de crédito para expandir a geração da energia limpa.

Os financiamentos para a geração de energia solar são realizados através da Linha ESG do banco, destinada a projetos sustentáveis e que incluem investimentos para matriz solar. Os investimentos totalizam R$ 326,5 milhões desde 2019. Deste total, R$ 191 milhões -- ou 60% do total - foram desembolsados a partir de 2021, o que evidencia aceleração na procura dos empresários por projetos verdes, especialmente para eficiência energética e energia renovável.

"Temos registrado um aumento na demanda por recursos destinados a projetos para a geração de energia solar. A matriz é de baixo custo e abundante. Além disso, não afeta o meio ambiente e seu uso está alinhado às agendas globais de desenvolvimento. E o Brasil tem um potencial imenso para expandir o fornecimento de energia solar", afirmou o presidente do Desenvolve SP, Sergio Gusmão Suchodolski.

O empresário José Roberto Bastos Geronimo LGB Energia Renovável, contratou uma linha de crédito para investir cerca de R$ 5 milhões na construção de uma usina fotovoltaica na região de São José do Rio Preto, quando a matriz solar ainda tinha pouca relevância no país.

O projeto avançou e atualmente a usina tem capacidade de gerar 1 megawatt (mw) de energia, suficiente para suprir o consumo mensal de 1,5 mil residências. Considerando uma média de quatro pessoas por residência, o empreendimento tem condições de fornecer energia a 6 mil pessoas por mês. Para se ter uma ideia, o estado de São Paulo tem mais de 150 municípios com menos de 6 mil habitantes.

"Na época dos planejamentos, em 2019, foi um projeto bem ousado, pois não havia uma regulamentação clara para o setor de energias renováveis. Mas, com um estudo viável, o governo acreditou no nosso projeto e nos benefícios sociais e ambientais que geraríamos", explicou. Diferente dos combustíveis fósseis, que são um dos fatores que mais contribuem para danos na camada de ozônio, em uma usina solar, a emissão de gases como o CO² é relativamente baixa na atmosfera.

Diante do sucesso da primeira empreitada, o empresário revela planos de diversificar as atividades e pretende investir em outros projetos sustentáveis. "Atualmente estou com um plano de negócios no setor de limpeza industrial com alta sustentabilidade ambiental. Estamos nos estabelecendo em Uchôa. A próxima etapa é o estudo de viabilidade econômica". 

Fonte: Desenvolve-SP

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