Aproximadamente 0,2% dos brasileiros com obesidade grave (graus 2 e 3) conseguiram realizar a cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no ano de 2023. Ao todo, segundo Datasus, foram feitas 7.511 cirurgias em todo o país.

No entanto, dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) apontam que 1.993.683 milhão de pessoas diagnosticadas com obesidade grau 2, representando 8,31% da população monitorada (24.002.758) e outras 1.058.646 milhão com obesidade grau 3 (mórbida), o que representa 4,41% da população monitorada. A soma destes dois grupos equivale a 3.052.329 milhões de pessoas com indicação para o tratamento cirúrgico da obesidade.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Antônio Carlos Valezi, o volume de cirurgias realizadas no ano passado pelo SUS é 40,2% menor, se comparado a 2019 (antes da pandemia), quando foram feitas 12.568 cirurgias pelo SUS.

"O número total de cirurgias realizadas pelo SUS é de apenas 0,2% do total de pessoas que precisam deste tratamento. Enquanto isso, estamos vendo o sistema público recebendo a cada dia novos casos de pacientes com diabetes - incluindo a necessidade de amputação de membros em consequência da doença-, hipertensão, gordura no fígado, problemas nas articulações e outros ocasionados pela obesidade", reitera o presidente da Sociedade Brasileira de CIrurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Antônio Carlos Valezi.

Dados por regiões

Quando distribuídos por regiões do Brasil, os números ficam ainda menores. No Norte do Brasil foram 198 procedimentos realizados; no Nordeste, 701; Sudeste 3563; Sul 2675 e Centro-Oeste 374.

O Brasil conta atualmente com 7.700 hospitais, em 5.568 municípios brasileiros. Destes, apenas 98 serviços realizam a cirurgia bariátrica e metabólica, sendo que quatro estados brasileiros não oferecem o procedimento. Atualmente Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá não possuem serviços habilitados no SUS para bariátrica.

Mutirão acontece na semana da obesidade

Para tentar reduzir o tempo de espera de pacientes mais graves que aguardam pelo procedimento cirurgiões que integram a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) em seis estados do país, irão realizar entre os dias 4 de março e 08 de março - em alusão ao Dia Mundial da Obesidade -, uma força-tarefa para operar 92 pessoas com obesidade mórbida e que aguardam nas filas do Sistema Único de Saúde (SUS) nos Estados do Paraná, São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.

Afastada pelo SUS há mais de cinco anos, Marina Ferreira Santos, teve câncer. Após a quimioterapia e com o uso de corticóides ganhou muito peso, além de uma osteonecrose nos dois quadris. Com 1,58 metros, ela pesa 134 quilos e aguarda na fila da bariátrica desde 2019. Após a indicação dos hematologistas para a perda de peso, já que câncer e obesidade também são doenças que caminham juntas, ela está pronta para operar na Santa Casa de São Paulo. "Sinto muitas dores no quadril para andar e me locomover. Apenas a cirurgia poderá me ajudar, tendo em vista que para fazer a prótese de quadril e parar de sentir dor, preciso perder peso primeiro", conta Marina. "Os remédios já não fazem mais efeito e preciso voltar a ter qualidade de vida, depois de tanto sofrimento", reforça.

O mutirão acontece na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Hospital São Francisco da Providência de Deus, no Rio de Janeiro, Hospital Geral Ernesto Simões Filho, em Salvador; no Hospital Evangélico Mackenzie, em Curitiba; no Hospital Maria Braido, em São Caetano, ABC paulista; no Hospital das Clínicas de Pernambuco, Recife e na Santa Casa de Patos de Minas, Minas Gerais.

"A força-tarefa deverá realizar cerca de 92 cirurgias e tem o apoio dos cirurgiões da SBCBM que participam da ação", explica o vice-presidente executivo da SBCBM e que será voluntário do mutirão na Santa Casa de São Paulo, Luiz Vicente Berti.

Em todo o Brasil mais de 100 profissionais, entre cirurgiões e equipes, participam da ação. Todos os pacientes que serão operados já passaram pelas etapas pré-operatórias e devem receber alta em 24 horas, pelo fato da cirurgia ser feita por videolaparoscopia.

A realização da força-tarefa será possível devido a uma iniciativa da empresa Medtronic - que atua na área de tecnologia em saúde - em parceria com hospitais públicos e privados. Todos os materiais necessários para a realização dos procedimentos serão doados pela multinacional. Segundo a vice-presidente da Medtronic no Brasil, Gisela Bellinello, o mutirão é uma iniciativa inovadora e necessária que comprova que parcerias estratégicas podem ampliar o acesso à saúde dos brasileiros.

"Temos como missão ampliar o acesso a novas tecnologias e tratamentos diferenciados, e disponibilizamos um dos portfólios de cirurgia metabólica e bariátrica mais avançados do mundo. Sabermos que estamos contribuindo para a saúde dos brasileiros é motivo de grande satisfação para a nossa companhia e nos motiva a expandir este projeto, afirma."

Indicação

Os critérios previstos nas portarias 424 e 425 do Ministério da Saúde para realização da cirurgia bariátrica pelo SUS são Índice de Massa Corporal (IMC) de 40 Kg/m², com ou sem comorbidades, sem sucesso no tratamento clínico por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos. As portarias também permitem a indicação para cirurgia bariátrica de pacientes com IMC > 35 kg/m2 e comorbidades com alto risco cardiovascular, diabetes e/ou hipertensão arterial de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas ou outras que não tenham tido sucesso no tratamento clínico.

Como é realizada a cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica é um dos principais tratamentos para a obesidade severa ou mórbida e pode ser realizada por meio de diferentes técnicas cirúrgicas, sendo o bypass gástrico e a gastrectomia vertical as mais utilizadas. Um dos grandes diferenciais nesta força tarefa é que todas as cirurgias serão realizadas por videolaparoscopia (técnica minimamente invasiva). Na cirurgia aberta, o médico precisa fazer um corte de 10 a 20 centímetros no abdômen do paciente. Na videolaparoscopia são feitas de quatro a sete mini incisões de 0,5 a 1,2 centímetros cada uma, por onde passam as cânulas e a câmera de vídeo. Trata-se de uma técnica menos invasiva e mais confortável para o paciente, com um tempo de recuperação mais breve, com alta hospitalar antecipada e redução dos riscos de complicações.

A cirurgia bariátrica tem como principal objetivo ajudar o paciente a emagrecer, mas também traz outros benefícios como a melhora das comorbidades como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia, além da melhora da qualidade de vida. "O paciente precisa seguir um programa multidisciplinar de acompanhamento, que envolve mudanças na alimentação, prática de exercícios físicos e cuidados com a saúde mental", completa Valezi.

Fonte: BCW

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