A recente aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos estudos clínicos de fase 1 da polilaminina, proteína desenvolvida na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em parceria com o laboratório Cristália, marca um passo histórico para a medicina regenerativa no Brasil. Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Economia Política, a conquista científica traz esperança para milhares de brasileiros com trauma medular e lança luz sobre a urgência de garantir que a alta tecnologia chegue de forma universal à população.
"A aprovação dos testes clínicos da polilaminina é uma vitória extraordinária da ciência nacional, mas é, acima de tudo, uma pauta de Direitos Humanos. Quando falamos em regeneração de fibras nervosas e recuperação de mobilidade, estamos tratando do resgate da autonomia e da cidadania de pessoas que tiveram suas vidas profundamente impactadas por lesões graves", ressalta André Naves.
Derivada da laminina, substância produzida naturalmente pelo organismo, a polilaminina é fruto de 28 anos de pesquisas lideradas pela bióloga e professora Tatiana Coelho de Sampaio. A primeira fase do estudo avaliará a segurança da aplicação em cinco pacientes voluntários com lesões torácicas agudas.
O abismo social e o desafio do acesso público
Estimativas da Sociedade Brasileira de Traumatologia Ortopédica (SBTO) e do Ministério da Saúde apontam que o Brasil registra cerca de 10 mil novos casos de lesão medular por ano, provocados principalmente por acidentes de trânsito e violência urbana. A maioria das vítimas é jovem e em idade produtiva, enfrentando, além da perda de mobilidade, o isolamento social e barreiras de acessibilidade.
André Naves adverte que o avanço biotecnológico precisa caminhar lado a lado com a democratização da saúde pública.
"O desenvolvimento da ciência não pode servir apenas para alimentar o mercado ou restringir tratamentos de ponta a quem tem alto poder aquisitivo. O grande teste civilizatório do Brasil será assegurar que, após as etapas de aprovação e eficácia, terapias revolucionárias como essa sejam incorporadas com celeridade ao Sistema Único de Saúde (SUS). A tecnologia só cumpre seu papel ético quando promove inclusão real e transforma vidas na ponta", pontua o defensor público.
Naves reforça ainda que o investimento contínuo na ciência brasileira e na medicina regenerativa é fundamental para reduzir as desigualdades enfrentadas por pessoas com deficiência no país.
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Fonte: Assessoria de Imprensa do Defensor Público Federal André Naves
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