A chegada de uma nova frente fria ao Estado de São Paulo, prevista para provocar chuvas fortes e rajadas de vento de até 100 km/h nesta quinta e sexta-feira (29 e 30/07), demanda atenção para a ocorrência de eventos meteorológicos severos. O cenário meteorológico atual relembra o episódio registrado na última semana em Ribeirão Preto, onde uma tempestade resultou na queda de mais de 200 árvores e causou danos significativos às redes elétrica e estrutural do município.
De acordo com os avisos emitidos pela Defesa Civil, a instabilidade climática deve atingir diferentes regiões paulistas. Enquanto a Região Metropolitana de São Paulo e a Baixada Santista podem registrar ventos de até 100 km/h, os demais pontos do Estado têm previsão de chuvas intensas e rajadas de até 70 km/h.
O meteorologista Carlos Raupp, conselheiro pela Câmara Especializada de Agronomia (CEA) do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea-SP), explica que o evento registrado em Ribeirão Preto foi causado, possivelmente, por uma linha de instabilidade pré-frontal, ou seja, uma condição de tempo instável, com calor intenso e formação de tempestades, que ocorre antes da chegada de uma frente fria. O encontro com a massa de ar quente que atuava sobre a região tornou a atmosfera propícia para a tempestade.
"Nesse ambiente, caracterizado por ar quente e úmido e por forte variação dos ventos com a altitude, as tempestades podem produzir os chamados downbursts, que são intensas correntes descendentes que se desenvolvem no interior da nuvem e atingem o solo, espalhando-se rapidamente em todas as direções e produzindo rajadas de vento muito intensas, como as registradas no episódio de Ribeirão Preto", esclarece o especialista.
A frequência cada vez maior desses temporais encontra resposta na crise climática. Raupp destaca que as mudanças climáticas associadas ao aquecimento global tornam os eventos meteorológicos extremos mais recorrentes e severos. "No caso das tempestades, uma atmosfera mais quente é capaz de armazenar mais vapor d'água. Assim, quando as condições meteorológicas são favoráveis, esse maior conteúdo de umidade pode favorecer precipitações mais intensas", afirma.
Diante da recorrência desses fenômenos, o planejamento urbano e as ações preventivas tornam-se essenciais. Entre as medidas para reduzir a vulnerabilidade das cidades, constam o investimento no monitoramento meteorológico contínuo para fortalecer os sistemas de alerta, o manejo da arborização urbana, substituindo árvores com risco de queda e fazendo podas preventivas, além de manter a limpeza periódica de galerias pluviais, bocas de lobo e córregos, explica Raupp, que também é professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP).
Durante a passagem de ventos fortes e temporais, a recomendação para a população é que evitem áreas arborizadas, estacionar veículos sob árvores e manter distância de estruturas metálicas, coberturas frágeis, placas e outdoors. Em áreas externas de residências, como quintais e varandas, objetos soltos devem ser recolhidos ou fixados e, na ocorrência de descargas elétricas, a orientação é buscar abrigo em locais fechados, evitando espaços abertos. Já nas rodovias, os motoristas devem redobrar a atenção devido à menor visibilidade e ao risco de queda de árvores e objetos sobre a pista.
Planejamento e soluções para os municípios
Para apoiar os municípios no combate aos efeitos das tempestades, o Crea-SP instituiu em 2025 o Comitê de Mudanças Climáticas, tornando-se mais um passo da autarquia no enfrentamento à crise climática. O comitê reúne o setor tecnológico à gestão pública no desenvolvimento de estratégias de mitigação, com foco no manejo de recursos hídricos, drenagem urbana, prevenção de alagamentos e aplicação de Soluções baseadas na Natureza (SbN). Neste sentido, o Conselho lançou o Caderno Técnico sobre Mudanças Climáticas, guia que adapta diretrizes globais da Organização das Nações Unidas (ONU) para a realidade local. O documento orienta as prefeituras paulistas em áreas essenciais como gestão de riscos de desastres, florestas urbanas e planejamento territorial sustentável, reforçando a contribuição do Crea-SP para a construção de cidades mais seguras e resilientes.
Sobre o Crea-SP - Criada há 92 anos, a autarquia federal é responsável pela fiscalização, controle, orientação e aprimoramento do exercício e das atividades dos profissionais das Engenharias, Agronomia e Geociências. O Crea-SP está presente nos 645 municípios do Estado, conta com cerca de 380 mil profissionais registrados e mais de 110 mil empresas registradas.
Fonte: CDICOM
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